Golpe no Pix: vírus desvia seus pagamentos de pessoas e empresas
Imagine confirmar um pagamento via Pix, ver a tela de sucesso do seu banco e descobrir, depois, que o dinheiro foi parar na conta de um criminoso. Sem erro de digitação. Sem clique suspeito. Sem nenhum sinal de alerta.
Esse é o GoPix — um trojan bancário brasileiro que está evoluindo rápido, e que a Kaspersky acaba de analisar em profundidade. A ameaça não é nova, mas suas técnicas são. E entender como ela funciona pode ser a diferença entre proteger o caixa da sua empresa ou explicar um prejuízo que não deveria ter acontecido.
O que é o GoPix e por que ele é diferente
O GoPix é um malware desenvolvido no Brasil com um objetivo muito específico: interceptar pagamentos digitais em tempo real. Ele age sobre Pix, boletos e carteiras de criptomoedas — e faz isso de um jeito que a maioria dos antivírus convencionais tem dificuldade de detectar.
O motivo é técnico, mas vale entender: o malware opera diretamente na memória do sistema, sem deixar arquivos instalados no disco. Isso reduz rastros e torna a detecção muito mais difícil. Segundo Fabio Marenghi, pesquisador líder de segurança da Kaspersky, a técnica utilizada é inédita — nunca havia sido documentada antes.
No caso das criptomoedas, já há evidências concretas: uma única carteira controlada por criminosos recebeu mais de R$ 100 mil de vítimas que tiveram seus endereços substituídos silenciosamente. E esse valor, segundo o próprio pesquisador, representa apenas uma fração do prejuízo total — já que as fraudes via Pix e boleto dependem de dados internos das instituições financeiras para ser rastreadas.
Como sua empresa pode ser infectada
Aqui está o ponto que mais preocupa: o GoPix não exige nenhum comportamento descuidado da vítima. Ele se espalha por anúncios patrocinados no Google — aqueles links que aparecem antes dos resultados orgânicos e parecem completamente legítimos.
Os criminosos compram espaço no Google Ads e simulam páginas de serviços amplamente usados no dia a dia corporativo: WhatsApp Web, Google Chrome, Correios. Um colaborador buscando rastrear uma encomenda ou acessar o WhatsApp da empresa pode, sem saber, clicar em um anúncio falso, ser redirecionado para uma página que imita perfeitamente a oficial, e baixar o malware sem perceber nada de errado.
Depois disso, o trojan entra em modo silencioso — monitorando sessões bancárias ativas, não substituindo dados de forma grosseira, mas interferindo no processo enquanto ele acontece. O usuário acessa o internet banking normalmente, com o cadeado de segurança no navegador, tudo aparentemente correto. Por trás, o GoPix já está atuando.
O que torna esse golpe especialmente perigoso para empresas
Diferente de golpes que dependem de engenharia social — ligações falsas, e-mails suspeitos, mensagens de "atualização urgente" — o GoPix mira um comportamento absolutamente rotineiro: copiar e colar dados para realizar pagamentos.
Nas empresas, esse fluxo acontece dezenas de vezes por dia. Um analista financeiro processando boletos, um gestor aprovando uma transferência, um funcionário do setor administrativo pagando um fornecedor via Pix. Cada um desses momentos é uma janela de oportunidade para o malware agir.
E o pior: como o ataque opera em memória e manipula sessões ativas, ele deixa poucos rastros. Muitas vezes, a fraude só é descoberta no momento da conciliação bancária — quando o dinheiro já foi e o destinatário legítimo nunca o recebeu.
Como se proteger (de verdade)
A boa notícia é que a proteção começa com comportamentos simples, mas que precisam ser institucionalizados na empresa:
Não baixe nada a partir de anúncios. Independentemente de quão legítimo o resultado pareça no Google, nunca use links patrocinados para baixar aplicativos ou acessar serviços. Digite sempre o endereço diretamente no navegador.
Verifique os dados antes de confirmar qualquer pagamento. No Pix, confira o nome do destinatário na tela de confirmação do banco — não apenas a chave. Em boletos, compare o beneficiário exibido com o esperado. Em criptomoedas, nunca confie apenas no endereço colado: confira caractere por caractere.
Mantenha sistemas e navegadores atualizados. Atualizações corrigem vulnerabilidades exploradas por malwares como o GoPix. Essa é uma das medidas mais simples e mais negligenciadas nas empresas.
Invista em proteção além do antivírus tradicional. Como o GoPix opera em memória, soluções convencionais têm dificuldade em detectá-lo. Ferramentas com análise comportamental e monitoramento de sessões são mais eficazes nesse cenário.
Treine sua equipe. A maioria dos incidentes começa com um clique. Uma cultura de cibersegurança — onde colaboradores sabem identificar riscos e adotam boas práticas no dia a dia — é tão importante quanto qualquer solução técnica.
Segurança para a continuidade
O GoPix é um sinal claro de que as ameaças digitais no Brasil estão deixando de ser oportunistas e passando a ser estratégicas. Elas são desenvolvidas localmente, adaptadas ao comportamento do usuário brasileiro e projetadas para contornar as defesas convencionais.
Na MKNOD, trabalhamos com uma abordagem proativa em cibersegurança: identificar vulnerabilidades antes que elas se tornem problemas, proteger os dados e a operação da sua empresa de ponta a ponta, e garantir que sua equipe tenha as ferramentas e o conhecimento para agir com segurança no dia a dia.
Quer entender como está a maturidade de segurança da sua empresa? Fale com a gente.
Fontes: Kaspersky / TechTudo